Geração multi-gadget?!


O que faziam os nossos pais quando éramos bebés e simplesmente não queríamos dormir ou não parávamos de chorar? 
Possivelmente inventavam 'macacadas' e outras vezes deixavam-nos chorar com o intuito de nos 'educar' ou ensinar que a noite era para dormir ou que tínhamos de ficar na nossa cama e não no colo da mamã, por mais tentador que este fosse...

Vinte ou trinta anos depois, o que fazem os pais de hoje? Poucos são aqueles que os deixam chorar, seja por vergonha, por temerem que o vizinho do lado lhes bata à porta a refilar ou por não quererem receber uma visita da polícia que acha que estão a maltratar o filho. E 'macacadas' também estão fora de moda, ou não tivessem os miúdos de hoje pais que trabalham 10 horas por dia, cinco ou mais dias por semana, que chegam a casa sem paciência e que até já lhes compraram uma TV para o quarto ou mil jogos que fazem tudo o que eles podem precisar.

Então qual é a solução quando até os brinquedos ditos 'tradicionais' falham?
A resposta é simples: gadgets. Sejam aqueles que os pais compraram especificamente para os filhos, como as consolas de videojogos, as Wiis ou os computadores que chegaram a casa com o pretexto de serem para a escola (apesar dele ainda só estar no infantário), sejam o tablet da mãe ou o iPhone do pai quando estão a almoçar ou jantar fora para os entreter.

Mesmo com imensos estudos que apontam para os malefícios do uso das novas tecnologias em idades precoces, a verdade é que os pais os continuam a ignorar e a dizer: «é só desta vez!».

E contra mim falo... quando a minha princesa tinha perto de dois anos, 'apresentámos-lhe' o tablet, até porque o gadget estava lá por casa e precisava de mais utilidade. Ela 'apaixonou-se' de imediato e nós pensámos: «isto até é didático». Normalmente, via os desenhos animados que passavam na TV e outros mais antigos, incluindo alguns da geração dos papás que ficavam babados com a sua destreza manual a passar e pesquisar vídeos e imagens.

O problema começou quando ela já só queria ver o tablet e não ligava nenhuma aos restantes brinquedos, já para não falar que levava horas até adormecer e de repente já só fechava os olhos se estivesse frente a frente com o pequeno ecrã de cores brilhantes e sons fascinantes. Foi aí que percebemos que nos tínhamos de divorciar do pequeno aparelho e mostrar-lhe por gestos que aquela relação tinha os dias contados e que era tudo menos saudável.

Aproveitámos um fim de semana fora para não levar o 'bichinho' e dedicámos todo o tempo que tínhamos a mostrar-lhe as vantagens de simplesmente brincar com bonecas e carrinhos ou fazer desenhos com lápis e canetas. Quando perguntava pelo tablet, a resposta era simples: «está estragado». De regresso a casa, a desculpa da avaria continuou. Umas vezes entendia, outras vezes mostrava a sua indignação com lágrimas, mas tinha de ser.

E uma das verdadeiras lições desta mudança de comportamento para nós, pais, foi precisamente essa, que por vezes temos de os deixar chorar. Falar com eles é sempre essencial e explicar os motivos das nossas atitudes, mas contrariar as suas vontades com gestos também é muitooo importante. E como a minha mãe diz sempre: «mais vale chorarem eles agora, do que nós (pais) mais tarde».

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