O pânico do primeiro dia de colégio...


Sempre ouvi a minha mãe dizer que o dia em que decidiu levar-me para a pré-primária tinha sido muito difícil... aliás, o dia não, as semanas que se seguiram. Além de ter estado até aos cinco anos sempre em casa com ela e ter tido a sorte de conviver de perto com os meus avós e vizinhos da mesma idade nas famosas brincadeiras na rua quando ainda se podia correr e jogar à bola sem medo, eu não achava piada nenhuma à pré-primária. Não queria largar a minha mãe e só aceitava participar nas atividades se ela estivesse sentada assim mesmo ao meu lado.

Apesar de ter este historial, sempre achei que com a minha princesa ia ser diferente porque a iria colocar no colégio bem mais cedo. O certo é que quando chegou a altura de regressar ao trabalho, após a licença de maternidade, era Inverno e ela era tão pequenina e frágil que o meu coração de mãe levou-se a deixá-la com os meus pais. Além de terem a experiência de terem tomado conta dos meus sobrinhos, são das pessoas mais pacientes do mundo e têm tempo para ela. Além de a levarem sempre a passear e de lhe darem mimos, ainda a ensinam jogos didáticos. Melhor conjugação impossível...

Mas agora, com dois anos feitos em junho, decidimos que era o momento para fazer a transição. Visitei quase uma dezena de colégios. Uns mais simpáticos, outros mais baratos, outros  mais perto de casa, mas não encontrávamos o tal. Até que acabámos por nos decidir por uma creche mais flexível que aceitava fazer part-time (9h-15h) e ainda tinha a vantagem de lá estar uma amiguinha da Leonor. Até os primeiros dias foram perfeitos e eu fiquei maravilhada com a experiência. Os problemas surgiram no último dia da primeira semana quando ela não quis ficar e se agarrou ao meu pescoço a chorar e a soluçar... nesse dia o coração falou mais alto e levei-a para casa.

Desde a última sexta-feira que a princesa tem pesadelos, acorda a soluçar e a chamar pela 'mamã' e pelo 'papá' e até quando fica com o pai porque eu vou trabalhar ela chora e diz que eu não vou voltar. Isto já para não falar das birras que começaram a surgir por tudo e por nada... e pelas conversas que tem connosco ao telemóvel quando estamos a trabalhar. «Vem para casa mamã, a Nonô tem saudades» é a frase mais frequente...

Mas como todos me dizem que não é fácil e que temos de insistir um pouco, hoje levei-a novamente, mas fiquei lá com ela a brincar. O plano não sei se será o mais eficaz, mas neste momento a única coisa que quero é que ela associe o colégio a coisas boas e não a traumas, birras e choros. Quero que ela se habitue às outras crianças, que goste de brincar naquele espaço e que chegue mesmo a ter saudades da hora de regressar. Sinceramente, não sei se é a melhor opção, mas não quero ser excessivamente radical de a deixar a chorar compulsivamente e virar costas ou de simplesmente desistir e voltar a deixá-la com os meus pais...

Aceitam-se  conselhos... aliás precisam-se urgentemente conselhos ;)

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