sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

A princesa vai ter um mano mais novo. E agora?!



A um passo das 38 semanas e de malas e bagagens quase prontas para a ida para a maternidade, há imensas dúvidas que pairam no ar, sobretudo em relação à minha princesa.

Ela tem 30 meses e sabe perfeitamente que vai ter um irmão bebé, mas há algumas coisas que eu sei que ela só vai perceber quando ele realmente nascer. Um dia pensei que era a altura certa para lhe explicar que o mano não iria logo brincar com ela assim que nascesse, que não iria sequer falar ou andar e que iria chorar um bocadinho e dormir muito (espero eu). Depois de me ouvir com atenção saiu-se com uma exclamação que me mostrou que afinal ela não precisava de tanta informação: «Ó mamã, é um bebé!».... mesmo do estilo: óbvio que ele não vai fazer nada disso!!!

Como percebi que a sua percepção da realidade é afinal bem mais à frente do que eu imaginava para o alto dos seus dois anos e meio, esta semana achei que era o momento certo para lhe dizer que possivelmente a mamã teria de ficar um ou dois dias no hospital quando o mano nascesse... sim, eu bem sei que é um tema bem mais sensível e que o risco da conversa correr mal era elevado, mas quis tentar mesmo assim... O que é certo que assim que juntei a palavra 'hospital' ao facto de a mamã ficar fora, o pânico tomou posse da sua expressão e as lágrimas começaram a surgir de imediato nos seus pequeninos olhos verdes... arrependi-me na hora e bati em retirada... percebi que se calhar não é preciso explicar-lhes tudoooo. Há coisas que mais vale não dizer e sofrer por antecipação.

Sinceramente, nem eu sei como vão ser esses dias. Se for parto normal será uma estadia mais curta na maternidade, se for cesariana como da Leonor terei de aguentar um pouco mais a ausência da princesa... e provavelmente o colégio vai ser uma grande ajuda para ela não sentir tanto a separação temporária.

No entanto, já tenho algumas certezas e algumas dicas e conselhos que fui recolhendo nos últimos meses de outras sábias mães e de outras amigas não tão experientes, mas preocupadas e fiz uma lista de algumas coisas que me parecem importantes para contrariar possíveis ciúmes do mano e evitar ao máximo a sensação de 'rejeição' ou de passagem para segundo plano.


Mentalizar-me a mim própria que o amor se multiplica e não se divide... sim, no início achava que era impossível amar tanto outro ser humano como amo a Leonor. Mas com a evolução da gravidez percebi que o sentimento que tenho pela princesa é tão único e especial como aquele que vou ter pelo pequeno Pedro que ainda não conheço, mas que já faz parte de mim;


Incluir o tema Pedro aos poucos e fazer com que a Leonor percebesse que ia ter um irmão e que isso não era uma coisa má ou um assunto tabu também foi importante desde o dia em que lhe dissemos que a família ia aumentar. Tentámos que a mudança fosse vista como positiva e mostrámos-lhe que ela será essencial a tomar conta do bebé e que estará sempre presente no seu crescimento e mais tarde até brincar com ele (isto depois de o 'torturar', claro!);


Aproximar a princesa do papá foi outra sugestão que me pareceu interessante, se bem que a minha já é 'unha com carne' com o dela, sobretudo no que respeita a brincadeiras. No entanto, o que nos esforçámos foi por mudar algumas tarefas e colocar o pai a trocar mais fraldas, a dar mais banhos e até a ser o responsável pelo biberão de leitinho logo pela manhã ou antes de adormecer. Desta forma é garantido que o papá o saberá fazer quando chegar a altura de estar sozinho com a princesa e faz com que ela não estranhe fazer essas atividades com o papá em vez de ser com a mamã.


Tentar que nos primeiros meses ela não se sinta posta de lado... E aqui acho que os pais têm um papel super importante. Sempre que chega uma visita para conhecer o mano e que traz um presente, há que oferecer algo a ela também e mostrar que a visita também a vem ver e brincar com ela... Como a formiguinha junta comida para o Inverno, eu também já comecei a fazer compras de pequenos miminhos para que ela não sinta que de repente é tudo para o mano. Não vejo isto como consumismo, mas sim como uma forma de ela perceber que continuamos a mimá-la e a demonstrá-lo com pequenos gestos. Não precisa de ser um brinquedo caro para encher mais uma prateleira, basta ser um simples livro para contarmos histórias ao adormecer, carimbos ou canetas para fazer desenhos ou um puzzle didático.

Mentalizar-me que ela percebe tudo e que para ele é indiferente quem lhe troca a fralda ou dá o biberão. Podem achar que isto é demasiado virado novamente para a princesa Leonor, mas se pensarmos bem, nos primeiros meses o bebé só quer comer e dormir (e fazer coco e chichi, claro), enquanto a princesa já se apercebe de tudo e sente tudo de uma maneira mais real. 


Outra estratégia que tentei adotar foi colocar a Leonor no colégio antes do nascimento do baby Pedro para evitar o risco de ela achar que de repente tudo muda e que tem de ir para longe, mas que o irmão ficar sempre com a mamã 'dela'. No início não foi fácil, mas o que é certo é que hoje adora ir brincar com os amiguinhos e foi ela própria que me pediu para estar lá mais tempo.


Este é o ponto mais importante de todos: tentar relaxar o máximo possível, simplificar tudo, ter paciência e muita força. As rotinas vão mudar, a vida vai mudar, nós próprios vamos mudar. Mas o essencial é que essa mudança seja vista como algo natural e que se descomplique tudo. Ver outros ângulos, sorrir mais e respirar fundo quando nos apetece explodir são algumas formas de evitar pensamentos negativos e até possíveis depressões pós-parto.

Bem sei que na teoria é tudo muito fácil, mas espero sinceramente que estas dicas vos ajudem a vocês e também a mim nesta nova fase em família.

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