Dois meses de muito amor e algum desespero


Faz hoje, às 12h26, dois meses que vi pela primeira vez o baby Pedro. Segundos antes ouvia as duas médicas a dizerem que afinal era maior do que previam e bastante moreno. Como foi cesariana programada estava uma verdadeira pilha de nervos, mas felizmente a epidural ajudou-me a anestesiar o corpo, mas também a mente e a acalmar a ansiedade de saber se ia correr tudo bem.

Vi-o nas mãos da enfermeira antes de lhe tocar no rosto e na mão. Tinha uma cor que oscilava entre o vermelho e o roxo, em parte porque tinha o cordão à volta do pescoço, e tanto pêlo e cabelo preto que parecia uma versão mini do ator brasileiro Tony Ramos. 

«Eh lá, 3,685Kg!», disse a médica em tom de elogio, mas eu só pensei: «ainda bem que foi cesariana». Fiquei feliz por vê-lo logo nos primeiros instantes de vida e sentir a sua pele em contacto com a minha, mas houve momentos em que desejei estar a dormir. Ainda me lembro do médico anestesista não conseguir encontrar o sítio certo para aplicar a epidural e de estar sentada no centro daquela sala fria, mas a suar em bica devido à posição ultra desconfortável com costas arqueadas e com as mãos à volta da barriga. 

«Não pode ser anestesia geral?», acabei por perguntar. A resposta foi simples e direta: «a anestesia geral faz-lhe pior. Não quer ver o seu filho a nascer?». A minha reação não podia também ser mais simples e mais desesperada: «não!» e na minha cabeça só havia um pensamento: «ponham-me a dormir e acordem-me quando já tiver passado».

Hoje, a dois meses de distância, rio-me com estas imagens e diálogos e fico feliz por terem insistido na epidural. Ver aquele pequenino ser a nascer foi das emoções mais fortes e inexplicáveis pela qual já passei e parece que ainda sinto as lágrimas de felicidade a percorrerem-me o rosto...

Não é fácil. Nem a gravidez, nem o parto (cesariana ou não), nem o amamentar e muito menos o sobreviver às noites (e aos dias) dos primeiros meses. As noites mal dormidas e interrompidas pelo sobressalto de um choro esfomeado, as cólicas que teimam em não passar, o cansaço que se acumula e a paciência que não se multiplica (ao contrário do amor).

Mas o que mais me atormentou no início e agora ainda mais foi o tentar estar sempre ao lado da mana mais velha, a nossa princesinha Leonor... o esforço constante para que ela o ame sempre e que nunca tenha vontade de o 'apertar' sem ser para o abraçar; a preocupação com o nunca lhe faltarem as brincadeiras e os mimos; e a angústia de estar sempre lá quando ela precisa de colinho porque, na verdade, e apesar dela dizer que já é «quexida», ela também ainda é só uma bebé que precisa imenso de nós.

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