Ainda sou do tempo em que os miúdos iam passar férias à 'terra' com os avós


Na minha geração era muito frequente os miúdos irem passar uma parte das férias grandes com os avós na terra. Eu, como fui a mais nova não tive tanta sorte como o meu irmão e como os meus primos que iam todos os verões uma ou duas semanas de férias para casa dos nossos avós no Alentejo, mas mesmo assim ainda consegui sentir o gosto especial de estar com eles quase como se vivesse lá.

Lembro-me daquelas noites quentes passadas em brincadeiras na rua com os miúdos de lá e com os outros que tal como eu viviam na capital, mas que uma ou duas vezes no ano trocavam a confusão da cidade pela tranquilidade do campo. Lembro-me de ir buscar leite e queijos frescos à vizinha, de dar mergulhos em piscinas improvisadas, de ver os animais a pastarem livremente nos campos e de ir apanhar figos, azeitonas e uvas quando era o tempo disso. Lembro-me de ouvir histórias da família. De achar imensa piada aos nomes das minhas tias avós e de algumas primas mais distantes. Lembro-me de achar muito estranho que se casassem tão cedo e de algumas uniões serem 'combinadas' e de todos terem imensos filhos. Na cidade não havia nada disso.

Infelizmente, a geração da minha filha não tem tanta sorte, pois a maioria dos avós já vivem também na cidade e alguns ainda trabalham. Já não há tanto o conceito de 'ir à terra' ver a família e muito menos familiares com terrenos e com animais. A maioria das crianças de hoje acabam por saber o que é uma vaca ou um porco pelas imagens que passam na TV ou no tablet e não porque foram ao campo vê-los. Acabam por não saber bem qual a história dos avós e dos bisavós e muitos deles nem se incomodam muito com essa 'ignorância'. 

Desde que a minha princesa nasceu, temos optado por tirar todos os anos uma semana de férias com os meus pais e até há poucos meses - quando os meus sogros se mudaram para Lisboa - íamos também uns dias à terra para visitar. Admito que às vezes não é fácil voltar a viver sob o mesmo tecto com os meus pais 24 horas por dia durante uma semana inteira, mas a verdade é que quando olho para a felicidade da minha princesa e a vejo a brincar com os avós tudo isso fica para segundo plano. Não há nada melhor do que ver o meu pai a tentar ensiná-la a desenhar ou a fazer de cavalo com ela às costas; ou a minha mãe a mostrar-lhe como fazer um bolo ou pôr a mesa. São esses sorrisos que me fazem ser completamente a favor de uns momentos extra dos nossos príncipes com os avós. Além disso, ainda há a vantagem de os papás terem uma ajuda extra na hora de lhe dar almoço, lanche e jantar ou de a convencer a ir tomar banho ou a ir dormir a sesta; e a vantagem de os avós se sentirem mais jovens, dinâmicos, úteis e felizes com os momentos com os netos e com os filhos.

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3 comentários

  1. Que bonito o teu texto. Trouxe-me à memória bonitas recordações passadas em família, algumas partilhadas contigo e com a tua família. Eu também sou do tempo desse tempo, não de vir ao Alentejo porque já cá vivia mas de ir à capital passar uns dias com os primos e primas para conhecer um pouco da cidade, ir à praia, passear pelas avenidas, ver montras e também era tão bom. Um bj para ti pelo momento feliz que me fizeste recordar. Tua prima.

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    1. Sabe tão bem recordar prima. E tu também fazes parte destas minhas memórias, sobretudo das segundas feiras de Páscoa que passávamos no campo em família ;). Um beijinho muito grande de saudades ❤️

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  2. Que bonito o teu texto. Trouxe-me à memória bonitas recordações passadas em família, algumas partilhadas contigo e com a tua família. Eu também sou do tempo desse tempo, não de vir ao Alentejo porque já cá vivia mas de ir à capital passar uns dias com os primos e primas para conhecer um pouco da cidade, ir à praia, passear pelas avenidas, ver montras e também era tão bom. Um bj para ti pelo momento feliz que me fizeste recordar. Tua prima.

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