terça-feira, 21 de junho de 2016

O que deve saber antes de optar por fazer cesariana



Lembro-me como se fosse hoje da minha primeira cesariana. Não me lembro propriamente do momento da cirurgia porque estava sob efeito de uma anestesia geral, mas lembro-me das dores que senti durante a noite, do acordar na manhã seguinte com duas batatas em vez de pés e da ausência de tornozelos, tal era o inchaço, e lembro-me que não andava, arrastava-me. E foi assim durante os quatro ou cinco dias que estive internada e acredito que ainda mais uma ou duas semanas após o regresso a casa. 

Mas uma das coisas que mais me impressionou foi o facto de eu ter tido uma recuperação tão lenta e tão dolorosa, sobretudo em comparação com uma outra paciente que teve bebé sete horas depois de mim por parto normal e que duas horas depois estava como se costuma dizer «fresca que nem uma alface», mesmo tendo tido uma bebé com 4,500kg... Sim, leram bem, tinha 4,500kg e era a terceira filha da moldava que estava internada no quarto ao lado do meu e que entrou no mesmo dia para lhe induzirem o parto. Quando nos cruzámos no corredor naquela madrugada ela já andava de forma enérgica porque «queria recuperar rápido», segundo palavras dela. Eu, tinha o mesmo desejo, mas o corpo estava longe de colaborar. 

Infelizmente, na segunda gravidez a cesariana também foi opção, mas desta vez planeada e não de urgência. Ainda bem que assim foi porque não sei se o meu coração aguentava outro momento de pânico e de medo de perder o meu bebé no momento em que estava tão perto de o ter nos braços. Esta experiência já foi bem melhor e menos traumática do que a primeira, em parte porque levei epidural e porque já estava mais mentalizada de como ia ser o momento após a cirurgia e por outro lado porque tive uns dias para me preparar.


Mesmo assim, hoje se me perguntarem o que eu preferia... eu digo sem pensar duas vezes: parto normal com uma recuperação assim como a daquela moldava com que me cruzei naquele corredor do Amadora-Sintra, naquela madrugada de dores após ter tido a minha princesa. 

Contudo, há cada vez menos pessoas a pensarem assim, sobretudo se virmos as últimas estatísticas: quase sete em cada dez mães que têm bebés no privado é por cesariana, um valor que desce para menos de três em dez no público.


Possivelmente aquelas mães que querem fazer cesariana e que estão a ler este post não serão demovidas pelas minhas palavras e nem pela minha experiência, mas talvez pensem duas vezes depois de verem os dados que partilho abaixo e que são da Comissão Nacional para a Redução da Taxa de Cesarianas, citados hoje num artigo do Expresso.

Perigos de uma cesariana para a mãe

- O risco de complicações anestésicas é duas vezes superior na cesariana;

- A probabilidade de ocorrerem lesões urológicas é 31 vezes superior e a de hemorragia grave é 11 vezes acima do normal;

- Há quatro vezes mais risco de ser necessária uma transfusão sanguínea;

- A mortalidade materna é cinco vezes superior no pós-operatório, seja por infeção (11 vezes mais frequente) ou por tromboembolismo (quatro vezes);

- Há sete vezes mais hipóteses de a mulher sofrer de placenta acreta que é uma adesão anormal da placenta à cavidade uterina nas gravidezes futuras.


Riscos da cesariana para o bebé

- A probabilidade de complicações respiratórias é sete vezes superior nos bebés que nascem por cesariana;

- A falta de contacto dos recém-nascidos com os microrganismos da cavidade vaginal altera a reação imunitária do intestino e aumenta em 25% a hipótese destes virem a desenvolver diabetes tipo 2, asma e obesidade;

- Quase metade das cesarianas realizadas em 2015 foram feitas antes das 39 semanas, o que pode levar o bebé a precisar de oxigénio e de incubadora por ser ainda «um bebé imaturo, com os pulmões não devidamente formados».

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