quarta-feira, 29 de junho de 2016

Ser feliz dá trabalho e cansa tanto, que o diga a minha princesa



Já todos sabemos que ser feliz dá trabalho e não é propriamente fácil, mas será que já pensámos no quanto a felicidade pode ser cansativa? Que o diga a minha princesa que do alto dos seus três anos tem diariamente a árdua missão de correr, saltar, brincar e sorrir até à exaustão...

Hoje dedico este post à baby Leonor e por isso escrevo-o todo como se estivesse a falar directamente para ela:


«Acordas cedo e com mau feitio cinco dias por semana. Corres logo para o colo da mamã a pedir leite e mimos e saltitas até ao berço do mano para o acordar e encher de beijos ruidosos e gritinhos de pura alegria. 

Lavas os dentes e eu tento pentear-te. Foges e voltas a fugir pela casa fora. Volto a pentear-te e escolho a roupa. Olhas com atenção para o visual selecionado, analisas-o, torces o nariz em sinal de desagrado. Vês a segunda hipótese e concordas com um 'Uau' sonoro quando vês que é uma saia rodada ou um vestido florido. 

Toca a vestir rápido que o tempo nos foge entre os dedos como se de areia se tratasse. Chegas ao colégio, dás um beijinho à mamã ou ao papá, corres para junto dos teus amigos e aí começas a tua primeira maratona de brincadeiras. Uns dias és cabeleireira, noutros mãe, princesa, sereia e até a Elsa do Frozen (aí que canseira)... 

Depois chega o almoço e a sesta porque até as guerreiras mais fortes e corajosas precisam de recarregar baterias. E é o acordar para voltar a brincar que te preenche os sonhos. Sonhas com as tuas amigas, com os castelos que vão construir, com as profissões que vais representar. Mas também já sonhas com o regresso a casa. Acordas, lanchas e brincas, tudo num corrupio que já acompanhas como se fosses uma princesa crescida, quando na verdade ainda és só uma bebé, a minha bebé. 

E depois vem o melhor do dia, a mamã e o mano chegam para te ir buscar. Às vezes, quando o mano fica no carro com a avó, perguntas-me logo muito despachada se está acordado porque queres brincar com ele. Quando não está ficas triste, mas não desanimas e assim que chegas ao carro esforçaste para que ele 'sem querer' acorde 'sozinho'. Sorris como uma atleta que cortou a meta e voltas a sorrir para que o teu mano sorria de volta e ele rendido ao teu charme sorri também. 

E é quando entramos em casa que a terceira maratona de brincadeiras arranca, contigo mais cansada e sem tanta vontade de corridas, mas mesmo assim ainda vais para a tua cozinha, transformas-te em mini chef, cozinhas para o mano e para a mãe, nos intervalos perguntas quando chega o pai, sentas-te na secretária e desenhas, vais para o chão e fazes legos. E enquanto corres de um lado para o outro vais ver o mano, sorris-lhe, perguntas-lhe se está bom. 

Quando se ouve a porta a abrir, escondes-te debaixo na mesa e fazes de conta que não estás. O papá alinha sempre no teu jogo do gato e do rato e procura-te em vão, até que tu com esse sorriso lindo sais do teu esconderijo de princesa e abraças-o com a força das saudades que acumulaste o dia todo. Sorris muito e pedes-lhe que depois de um dia longo e cansativo de trabalho se sente contigo no chão, faça de cavalinho contigo às costas, finja que come a massa que fizeste a fingir e cante a música do Frozen contigo no meio da sala. E ele diz que sim, com o rosto cansado, mas puramente feliz. É impossível resistir-te. 

O jantar chega por turnos, entre os que comem na mesa, o que mama no sofá, e a que volta à cozinha para reaquecer o jantar e que regressa à sala para acabar de te dar a carne. 

Depois aproveitas para ler a história da Cinderela ao mano, corres pela casa a fugir do pai que tenta em vão vestir-te o pijama. Acabas por dizer que tem de ser a mãe. Vês os desenhos animados aninhada no meu colo e colada ao mano, enquanto lhe das mimos. 

Mesmo cansada ainda voltas muitas vezes a fugir do meu colo e vais dar banho aos teus bebés e trocar-lhes a fralda. É que «já é de noite» e eles também têm de se preparar para dormir. 

E é só quando o cansaço está quase a levar-te a melhor que te rendes e que pedes leite e colo. Adormeces nos meus braços, muitas vezes os mesmos braços que também já têm o teu mano aconchegado. 

E no final do dia, depois de tanta azáfama, tanta corrida, tanta brincadeira e até tantas lágrimas e sorrisos, é impossível dizer que ser feliz não dá trabalho ou não cansa. Cansa, mas compensa tanto. Cansa, mas preenche-nos a alma e o coração só com o teu sorriso.

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