Ter ou não ter filhos. Eis a questão...


Há mulheres que passam a vida a sonhar ser mães e que nunca conseguem; há aquelas que pensam não ter instinto maternal, mas que no dia em que vêem o seu bebé tornam-se nas mães que nunca imaginaram ser possível serem; há ainda aquelas que nunca o desejaram e que acabaram por engravidar ainda na adolescência; e até aquelas que sentiram o relógio biológico, mas que quando se tornaram mães entraram em desespero.

São todas elas mulheres, fruto da herança genética, da influência das amizades e das experiências da infância e da juventude, resultado do papel que os pais que tiveram e têm nas suas vidas, uma tábua rasa onde se escreveram e escrevem histórias, onde se desenham projetos, sonhos e ambições. Todas elas diferentes entre si, mas todas elas 'julgadas' em conjunto por uma sociedade que exige filhos, que lhes coloca nas mãos a responsabilidade da 'continuidade da espécie' ou algo do género e que faz questão de lhes mostrar que a vida não faz sentido sem um filho.

Eu faço parte daquele grupo que sempre quis ser mãe, mas que nunca se precipitou para uma relação só porque sim e muito menos tive aquele 'chamamento' ou aquele clique do relógio biológico. Apesar dos meus sobrinhos terem sido criados lá em casa, a verdade é que a primeira fralda que mudei foi mesmo a da minha filha. Acho que nunca tive aquele instinto natural de maternidade e sinceramente parece-me que as crianças sempre o perceberam... sempre adorei bebés e crianças, mas nunca foi aquele tipo de relação de empatia e paixão à primeira vez só porque sim...

No entanto, desde que fui mãe, os sentimentos mudaram e passei a identificar-me mais com a 'classe' das mães; a entender melhor as birras dos filhos; a achar piada ao sorriso cativante e único de um bebé; e eles também se renderam aos meus 'encantos' e noto que hoje há uma cumplicidade mais especial entre mim e a 'classe' dos filhos das minhas amigas. 

Mas nem todas são como eu e muitas (algumas por assumir, claro) não sentem vontade mesmo nenhuma de ser mães. Não sonham com isso, nunca sonharam e não imaginam passar uma noite em claro porque o bebé está a chorar ou terem de adiar viagens, projetos e carreiras. Sinceramente não acho que seja sempre o egoísmo a falar. Acho que há muitos casos em que não há relógio biológico ou este já veio estragado. São mulheres que se sentem realizadas com outros voos. Mas a sociedade não vê as coisas da mesma maneira e aponta-lhes o dedo sem benevolência. «Como é possível não querer ser mãe?», questionam-se. 

Quem é que não passou pela perseguição das perguntas: «quando arranjas namorado?»; «já estava na altura de casarem, não?»; «e terem filhos, não pensam nisso? Já não vão para novos...».

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