Mononucleose aos oito meses?! Sim, parece que é possível...


Com o meu príncipe doentinho não podia estar mais de coração apertado. Já há umas semanas que andava com tosse e expectoração - nada de novo para a época do ano - mas quando começou a ficar com alguma falta de ar e febre que já só passava com ben-u-ron de seis em seis horas, percebi que não era uma simples constipação...

A sorte foi mesmo o meu sexto sentido de mãe . ou o que lhe quiserem chamar - e ser um bocadinho persistente, pois só ao fim de três idas às urgências é que perceberam que ele tem mononucleose.... apesar do tratamento não ser muito diferente do de uma mera constipação com ben-u-ron e brufen, a verdade é que requer cuidados mais especiais, ou não fosse uma doença viral super contagiosa e que leva um par de semanas a passar, exigindo muito descanso e atenção redobrada.

Apesar de ser uma doença que afeta mais os adolescentes e os jovens adultos, tendo sido durante muitos anos conhecida como 'a doença do beijo', a verdade é que por vezes pode desenvolver-se noutras faixas etárias. E mesmo sendo «muito raro em idades como a do Pedro», como aliás explicou a médica, há um número pequenino de meninos que acabam por apanhar... e aqui o meu príncipe parece foi o 'feliz' contemplado...

Mas vamos por partes. A primeira vez que fui às urgências foi precisamente há uma semana e depois de o auscultarem tranquilizaram-me com um: «mãe isto é completamente normal nesta altura do ano, vai acontecer imensas vezes e muitas vezes ele nem cura uma constipação e passa logo para outra. Basta reforçar a ingestão de líquidos, para ajudar a eliminar as secreções e pôr muito soro.»

Saí de lá a pensar que tinha exagerado em levá-lo, mas como andava com tosse há umas duas semanas, a expectoração estava amarela e ele à noite já só dormia ao meu colo achei que era melhor prevenir...

De sexta para sábado começou a fazer febre e a ficar mais aflito; até que domingo, como estava a trabalhar pedi ao meu marido para ir com ele porque não havia melhoras. Afinal não era só uma constipação, fez aerossóis e até um raio-x e no final veio para casa com Atrovent para fazer nas inalações. Fiquei mais tranquila e pensei que era desta que ele ia melhorar. 

Só regressou ontem ao colégio e eu pensei sinceramente que com os aerossóis de manhã e à noite o ben-u-ron, nada pudesse piorar. Mas enganei-me e a meio da tarde ligaram-me a dizer que estava com a respiração acelerada e 38,5ºC de febre. Lá fui eu a voar, buscá-lo ao colégio, levar a princesa a casa da avó (que ela odeia hospitais) e arranquei para as urgências na esperança de que fosse rápido, por ele ser pequenino e estar há cinco dias com febre... pensamento errado! Urgências no Amadora-Sintra raramente são assim... tranquilas...

Depois de meia hora à espera só para a triagem, uma pulseira verde no pulso e 1h30 até a médica chamar, lá entrámos e voltei a ter a sensação de que não estava ali a fazer nada. No entanto, ela ia fazer-nos um favor, mas só porque fazia parte do protocolo: o baby Pedro ia fazer análises ao sangue porque estava há cinco dias com febre. Mas de certeza que não ia dar em nada. «Mamã o seu filho está ótimo, super saudável, já nem tem febre e vende saúde!» Apeteceu-me responder.lhe que se ele não estivesse doente, nós certamente que tínhamos outro tipo de planos para uma noite de quarta-feira, mas preferi guardar estes pensamentos na gaveta, aliás, guardá-los para aqui. 

Uma hora depois lá foi o meu príncipe tirar sangue e diga-se de passagem que se portou como um rei, nem uma lágrima, nem uma careta, nada. Ficou curioso a olhar para a seringa e para as enfermeiras. «1h30 no máximo e está tudo pronto. Depois é só esperar que a médica chame.» Ok, o normal, pensei. 

Mas como neste género de histórias também há pouco de normal, as análises demoraram o dobro do tempo... e quando finalmente lá entrámos a postura da médica era assim a modos que diferente. Mais simpática, mais cordial, mais cooperante... começou o discurso com um «bem...» e eu pensei logo: «ui, estamos mal...». E estávamos. Apesar do Pedro ser muito pequenino para fazer a análise que comprova a mononucleose, o que é certo é que a amigdalite, a febre constante, o resultado das análises que mostra que o organismo está a combater uma infeção... {blá, blá, blá} mostram que está este tipo de infeção viral. 

A médica fez questão de lembrar que não estava nada à espera do resultado e que até só tinha feito as análises por descargo de consciência, porque ele parecia ótimo, e porque é raríssimo haver este tipo de casos em tão precoce idade. «10 dias de repouso, ben-u-ron e brufen intercalados e muitos líquidos.» Felizmente como já tinham passado cinco, espero que na segunda ele já esteja 5 estrelas. 

Mas o que é certo é que um palavrão destes assusta qualquer um, quanto mais uma mãe e sobretudo quando essa mãe já tinha ouvido histórias de amigos que ficaram semanas de cama por causa da tal famosa 'doença do beijo' e que até já tinha lido na net umas coisinhas sobre a sua gravidade...

Agora resta dar-lhe muito colinho e muito mimo; tentar evitar que passe o dia a trepar móveis e que descanse; e fazer figas para que ele não tenha pegado à mana que passa a vida a enchê-lo de beijos... ou até aos papás que também não resistem ao charme do mini Pedro.

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