quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Será a permissividade assim tão boa?



Depois de várias gerações de progenitores autoritários e quase ditadores, hoje começamos a encontrar a tendência oposta, a dos pais permissivos. Mas será a permissividade assim tão boa?

Este é sem dúvida um daqueles temas polémicos e sobre o qual há tantas opiniões como religiosos em dia de missa, mas também é daqueles temas sobre os quais poucos pais pensam mesmo a sério.

Quantas vezes não sentimos que fechamos os olhos a uma ou outra 'falha' dos nossos filhos só porque não temos tempo naquele momento para lhe explicar que agiu mal? E quantas vezes não lhes damos o que nos pedem insistentemente só para evitar uma birra, haja ou não público, seja em casa ou no chão do supermercado? 

O tempo, ou a falta dele, é um dos maiores inimigo dos pais de hoje, ao qual se junta a pressão a que estão sujeitos no trabalho e fora dele: sempre a terem de atingir objetivos, sempre a terem de lutar para não serem despedidos no dia seguinte e sempre a terem de mostrar à vizinha que o seu filho é exemplar, seja lá isso o que for...

E no meio de tanta correria, de tanto em que pensar, de tanto que há para trabalhar e suar, acabamos por achar que isto de ser pai permissivo até não é uma 'moda' nada má. E dá tanto jeito que assim seja. Podemos sempre dizer que estamos a dar espaço ao nosso filho para perceber o que está certo e o que está errado; que mais tarde lhe explicamos que foi falta de educação não cumprimentar o tio ou o primo, mesmo que depois nos esqueçamos; e até podemos fechar os olhos à sopa que não quis jantar e ao chocolate que comeu de seguida só para que parasse de 'esfregar' o chão da casa todo...

Mas o grande problema do excesso de pais permissivos não se vê hoje. Vê-se amanhã, quando esta geração crescer e não souber lidar com o não e muito menos com a frustração de ser rejeitado por um namorado, despedido do emprego ou perder um ente querido num acidente. E apesar de serem alegres e bem-dispostas à primeira vista, estas crianças podem facilmente tornar-se em adultos inseguros, com baixa auto-estima e com dificuldade em assumir responsabilidades...

Com isto não quero dizer que sou a favor de pais autoritários e ditadores. Muito pelo contrário. Para mim não há nada melhor do que o diálogo para encontrar um consenso (ou não), sobretudo entre pais e filhos. Não há nada pior do que um pai a olhar para o ecrã de um smartphone enquanto o filho lhe está a fazer uma pergunta ou a tentar esclarecer uma dúvida; não há nada pior do que um jantar em que todos os elementos da família focam o seu olhar no vazio de uma qualquer conversa online, de uma notícia ou até mesmo de um scroll pelo Facebook; não há nada pior para uma relação do que o silêncio e a indiferença. 

As relações precisam de calor, de proximidade e de olhares. E os filhos precisam que sejamos pessoas presentes nas suas vidas e decisões. Estimular a criatividade através da invenção de histórias ou do fazer desenhos ao acaso com materiais pouco convencionais; o ouvir sempre a sua opinião, mesmo que não seja a nossa, de forma a perceber o seu raciocínio; e o ser consistente com as decisões que adota para evitar confundi-los são algumas estratégias por onde se pode começar. Ah e deixar o telemóvel na mesa do hall de entrada também pode ajudar...

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