segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Por um segundo deixei de a ver... o meu coração parou


O episódio que partilho hoje já aconteceu há umas semanas, mas acho que precisei de algum tempo para assimilar o maior susto da minha vida. 

Estava eu no Colombo com a princesa e a avó e fui pedir algo para lanchar. A avô ficou sentada a poucos metros e a Leonor quis vir comigo fazer o pedido. No entanto, entre o escolher e o pagar, acabou por ficar saturada e pediu-me para ir novamente ter com a avó. Até aqui nada de novo, até porque os miúdos desta idade se fartam com alguma facilidade de estarem parados sem nada para fazer. 

Como estava a poucos metros da minha mãe, sugeri à princesa que fosse "sozinha", mas sob o meu olhar atento. Mas antes peguei-a ao colo, mostrei-lhe onde estava a avó sentada e perguntei-lhe se a estava a ver. Disse-me a tudo que sim, e lá foi ela a saltitar por cima das riscas onduladas e coloridas que estão desenhadas no chão.

Ia tão concentrada em seguir as riscas que passou a "saída" sem pestanejar ou olhar para o lado. Seguiu a saltitar em direção ao "nada" ou aliás, ao "muito", porque nesse dia - como em tantos outros - havia muita gente a circular nos corredores do Colombo. 

Não hesitei um segundo e sai disparada só com uma coisa em mente: «não a perder de vista por um segundo que fosse». O problema foi quando isso aconteceu. No meio da multidão e com várias pessoas a olharem na nossa direção pelo "caricato" de ver uma criança a correr sozinha e uma mãe literalmente desesperada a correr no seu encalço, houve um segundo em que o meu olhar a perdeu no horizonte de pernas, sacos e carrinhos... O meu coração parou e só consegui voltar a respirar de alívio quando voltei a vislumbrar o seu rabo de cavalo saltitante. Peguei-a nos braços e abracei-a. 

Sinceramente, estava "perdida", mas no seu mundo de cores e riscas. Seguia o caminho sem se lembrar que tinha de parar para ir ter com a avó. Seguia o caminho que a mantinha entretida e nunca por um segundo que fosse ficou assustada a pensar que se ia perder de nós. 

Eu, pelo contrário, estava em pânico. E apesar de ter sido tudo muito rápido e de na verdade não ter passado de um susto, serviu de lição para próximos episódios. 

Sentei-a no colo num misto de mãe feliz e de mãe desesperada. Olhei-a nos olhos e expliquei-lhe o risco do que tinha acabado de acontecer. Bem sei que não a devia assustar ou amedrontar, mas tinha de pelo menos de a alertar. 

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