quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Post para uma mamã a precisar de ajuda


Quando a minha princesa nasceu, há 3 anos e meio, tinha a ideia de que tudo ia ser maravilhoso. Apesar de saber de antemão que iam haver noites mal dormidas e muito cansaço à mistura porque cuidar de um ser tão pequenino exige tanto de nós, por vezes demasiado, acreditava que o amor tudo vencia e que nada me iria deitar abaixo. 

O problema é que a experiência começou com o pé esquerdo. Em vez de parto natural como eu esperava, teve de ser cesariana porque ela estava a perder os sinais vitais e acabou mesmo por ter de ser reanimada. Mas o desespero da minha primeira incursão pela vida de recém-mamã não acabou pelo pânico de a poder perder ainda antes de a conhecer. 

As dores da cesariana, o inchaço dos pés à cabeça que parecia que ainda continuava grávida, as dores insuportáveis de dar de mamar - um ato que eu julgava ser natural e quase indolor -, o trocar fraldas de 5 em 5 minutos, o tentar que ela dormisse mais de 10 de seguida, e as noites em que dormia por turnos tão curtos que nem davam sequer para aquecer a cama. 

E se eu achava que o regresso a casa ia ser bom, percebi que não era bem assim. As dores demoravam a passar, dar de mamar continuava a ser um tormento e dormir era na verdade tudo menos a realidade. Não dormia eu, não dormia o papá, não dormia a princesa. Entre massagens para as cólicas, mudanças de fraldas constantes e banhos que demoravam mais a preparar do que a acontecer e que ainda eram animados com banda sonora de choro constante, não havia muitos motivos para sorrir. 

Lá fora estava um calor infernal que me dava tudo menos vontade de ir dar um passeio com a princesa e a dificuldade de conseguir sair sozinha com o ovo, a mala das fraldas, a minha mala, a princesa e ainda as dores da cesariana fazia com que eu parecesse uma reclusa e não uma moradora da minha própria casa. Durante umas semanas optei por não responder às mensagens de felicidades e tentei adiar visitas à Leonor. Sinceramente, não queria estar sozinha, mas também não me apetecia ver ninguém. Bipolar no mínimo, não?

Nunca percebi bem o que era isso da depressão pós-parto. Sinceramente, achava que era um mito, algo impossível de acontecer, até porque ser mãe seria o melhor do mundo e ter um bebé lindo nos nossos braços seria a concretização desse mesmo sonho. 

No entanto, hoje, três anos volvidos, acredito que estive a um passo de a viver e a fronteira entre a sanidade mental e a depressão nunca me pareceu tão ténue, tão delicada.

A minha sorte foi que os meus amigos e família não desistiram de nós e tocaram à porta, insistiram, tiraram-nos de casa, levaram-nos compras do supermercado, tomaram conta da princesa e até nos ajudaram a tratar da roupa e a limpar o pó. Hoje, percebo a importância de pedir ajuda e de procurar as pessoas que gostam realmente de nós e que se preocupam.

E no final desta fase difícil, olhei para a minha princesa e só pude agradecer o facto dela me ter "escolhido" para ser sua mãe. Não sou a melhor do mundo, mas tento diariamente ser a mãe que ela precisa que eu seja. Continua a não ser fácil, mas quem disse que ser feliz não dá trabalho?

P.S.: Escrevi este testemunho para uma pessoa em especial, cujo testemunho de cansaço mexeu comigo. No entanto, acredito que possa ajudar outras mães que estão a passar pelo mesmo que eu passei e pelo que esta mãe em concreto está a viver. Se puder aliviar a angústia de uma só, nem que seja pelo facto de perceber que não está sozinha e que não é a única a tentar sobreviver a um pós-maternidade difícil, já sou uma mulher mais feliz. 

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