quarta-feira, 12 de abril de 2017

Já pensaram bem na comida das festas para crianças?


Pensei muito antes de escrever este post, até porque acredito que vai ferir susceptibilidades, mas decidi fazê-lo porque tenho a certeza de que também vai pôr muitos pais, tios, padrinhos e até amigos a pensarem mais nas escolhas alimentares que fazem para as festas dos mais pequenos. 

Eu ainda sou do tempo em que as festas de anos eram dos poucos momentos em que podíamos comer doces e salgados com menor controlo por parte dos pais. Primeiro porque não eram bens de primeira necessidade e naquela altura a gestão do orçamento familiar era mais apertada, logo não havia na despensa um "batalhão" de batatas fritas e gomas; depois porque não havia no supermercado tanta variedade de chocolates, fritos e snacks; e por último porque também não eram tão "baratos" como são hoje. 

No entanto, nos últimos anos entrámos oficialmente naquilo a que chamo "happy hour of fast, sweet and Instagramer food", o que quer dizer que o que realmente interessa é que a comida e os snacks tenham um aspeto "delicioso", colorido, fotografável e de fazer "inveja" às outras mães e pais. O problema é que muitas vezes essas escolhas são tudo menos saudáveis... já imaginaram quantas calorias, gordura e açúcar é que tem cada mini mousse de chocolate, cada panqueca ou fatia de bolo, cada bolinha de brigadeiro com leite condensado e chocolate, cada pastelinho de bacalhau, cada mini hambúrguer, cada salgadinho de carne ou camarão? Ai... se calhar é melhor não usar a máquina de calcular porque em meia hora podem ultrapassar o valor ideal para o dia inteiro e passar facilmente a quantidade de açúcar ou sal desejáveis para uns dias...

E foi quando alguns pais começaram a fazer essas mesmas contas que começou a surgir uma nova onda de opções alimentares mais saudáveis, mas por vezes demasiado fundamentalistas. 

Eu não concordo nem com uma nem com outra. Acho que - como em tudo na vida - o meio termo é o melhor caminho. O ideal é haver alternativas para todos, para que haja liberdade de escolha. O problema é quando isso não existe e ultimamente tenho ido a demasiadas festas e eventos em que não encontro uma opção saudável que seja. Sumos só com gás, bolos só com muito açúcar e com coberturas doces, muito doces, e nada de uma salada de frutas ou de umas espetadas de fruta ou de tomate com queijo fresco; nem sequer umas sandes mistas que na minha altura eram obrigatórias em qualquer festa; e iogurtes ou sumos naturais também está escasso...

E pensar que é tão simples fazer gelatinas coloridas, espetadas de fruta, snacks de cenoura, wraps de legumes ou iogurtes com fruta!

O mesmo acontece com os brindes que os miúdos levam para a escola. Quantas vezes é que os vossos filhos levaram para casa um saquinho com canetas, lápis ou até um puzzle ou um jogo que era o brinde da festa do amiguinho X ou Y? Pois, não é preciso pensarem muito, quase de certeza que a resposta é: «nenhuma». As gomas, os chupas, as pastilhas e os chocolates são quase sempre a escolha mais fácil e "barata" (será?!). O problemas é que não é uma vez por mês. Há meses em que há cinco ou seis amigos que fazem anos e depois fica dificil dizer aos nossos filhos que não podem comer as gomas da festa da Constança porque já comeram os chocolates do aniversário do amigo Diogo, certo?

Não é fácil mudar hábitos, mas temos de pensar que nos cabe a nós começar a mudança. Se não fizermos nada de certeza que nada melhora. Por isso, este ano decidi que vou procurar um brinde diferente para a princesa oferecer aos coleguinhas da escola por altura do aniversário dela. Já só tenho dois meses, mas acredito que vou encontrar uma solução em conta e divertida!


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