A procura cega pela fama virtual

Monalisa Perez, de 19 anos e grávida do segundo filho do casal, disparou com uma arma contra o namorado, Pedro Ruiz (22 anos) enquanto este segurava um livro em frente ao peito. Pedro Ruiz acabou por morrer.

É impossível ficar indiferente a histórias com a da mãe que envenenou o filho com sal até à morte para ter mais visitas e comentários no blogue ou do casal de jovens que achou que o vídeo dela - grávida do segundo filho - a alvejá-lo através de um livro lhes daria milhões de visualizações no YouTube... 

Às vezes dá-me vontade de abanar as pessoas e chamá-las de volta à realidade. Parece que se esquecem do valor da vida e que se deixaram absorver pelo virtual, passando a viver no ecrã do tablet ou do smartphone. 

Quantas vezes vejo famílias inteiras a almoçarem juntas, mas sem trocarem palavras ou olhares entre si. Ou casais que em vez de aproveitarem um jantar para namorar ou falar estão absorvidos pelo mural do Facebook ou do Instagram. 

Acabam por viver a vida de outros, por "sofrer" com as fotos das férias dos outros, por sorrir com as alegrias dos outros, por escolher destinos de fim de semana de outros, por querer que os seus filhos se vistam como os dos outros... e esquecem-se de olhar para quem têm ao seu lado e, sobretudo, de olharem para si próprios e perceberem o que gostam realmente de fazer.

Eu não quero viver o que as outras pessoas vivem, não quero que os meus filhos sejam réplicas de outras crianças, não quero escolher ir de férias para Bali porque a minha vizinha foi, não quero usar um vestido só porque fica bem à Angelina Jolie ou comprar aqueles iogurtes só porque dizem que fazem milagres.

Eu quero mais do que isso. Quero viver os meus filhos ao máximo, não quero seguir receitas infalíveis de educação ou de qualquer outra área, quero aprender com os erros, quero sentir as experiências em vez de pensar só em como estas vão parecer a quem me lê e quero acima de tudo sentir a vida e não achar que a vida de outra pessoa é melhor que a minha. 

Nisto das redes sociais, aliás como em quase tudo na minha vida, gosto de ouvir opiniões, gosto de divagar sobre diferentes situações, gosto de pensar nos conselhos que me dão, e no final gosto de fazer uma espécie de balanço e de escolher o caminho que me parece o mais adequado à minha situação em concreto.  

Btw, não são certamente os likes, os comentários ou as visitas que servem de barómetro da minha felicidade...

Share:

0 comentários