Quando eles vão de férias sem nós...


Antigamente era comum os miúdos irem passar férias à "terra". Iam visitar os avós, os tios, os primos... e por lá ficavam uma ou duas semanas e às vezes até mais.

Hoje, há cada vez menos pessoas que tenham "terra" ou cujos avós ainda vivam fora das grandes cidades. No entanto, a "tradição" de ir passar uns dias com a família permanece. Bem como a sensação de coração partido dos pais quando não os podem acompanhar.

Todos sabemos que estes dias ou semanas fora fazem bem a todos. Aos filhos que têm uma oportunidade de passar mais tempo com a família que não vêm tão frequentemente e que acabam por fazer atividades de lazer que nem sempre podem na cidade; aos pais que têm um bocadinho de tempo livre para si próprios; e aos avós que adoram poder cuidar em exclusivo dos netos.

Os únicos que ficam mais angustiados e com uma sensação de bipolaridade são mesmo os pais. Felizes porque sabem que os filhos se estão a divertir mais do que se estivessem "fechados" em casa, mas com uma sensação de vazio.

Chegar a casa e não os ouvir a correr de um lado para o outro; não andar no supermercado com um olho nas crias e outro nas promoções; conduzir e ouvir o "silêncio" no banco de trás em vez de ouvir gargalhadas; reparar que o CD do Panda ainda está a tocar e os miúdos já foram de férias há três dias; ligar a TV e ficar atentamente a ver um episódio da Patrulha Pata durante dois minutos até que percebemos que podemos mudar para o canal que quisermos; estranhar que o cesto da roupa suja não tenha imensas peças pequeninas e coloridas; fazer o jantar, pôr a mesa para quatro, tratar da sobremesa e só depois pensar que afinal são só dois...

Mas não digo isto por experiência própria porque os meus príncipes ainda não foram de férias sem ser connosco. Digo isto porque imagino como devia ser um dia sem eles na minha vida. E apesar de ser revigorante não ter de acordar três vezes por noite e poder dormir até mais tarde do que as 7h no sábado; a verdade é que não deixa de ser angustiante...

Por aqui, o papá não acha grande piada a isto de "mandar" os miúdos seja para onde for, sem que seja connosco. E se por um lado o entendo, até porque o baby Pedro ainda só tem 16 meses e a Leonor não é muito dada a dormir fora de casa, por outro lado acho que podia ser uma experiência muito enriquecedora para eles e até mesmo para os avós. Pode ser que no próximo ano o convença... a ele e a mim... 

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