Solidão em versão XXL

Crédito: Inês Lamego

Há umas quantas gerações, envelhecer era sinal de sabedoria e experiência. Mesmo sem tratamentos de beleza, spas, gadgets e sem as recentes evoluções da área da saúde e ciência, havia respeito pela idade e pela história de vida de cada um.

Hoje, comovemo-nos com as notícias de idosos que são encontrados sem vida num qualquer apartamento do centro da cidade, meses após a sua morte; com as reportagens que nos mostram pessoas que vivem literalmente debaixo da ponte; e até com histórias que partilhamos nas redes sociais de pessoas que quase perdem a capacidade de falar porque não têm ninguém com quem o fazer.

Somos até capazes de verter uma lágrima, partilhar a notícia no Facebook e até doar uns euros que nos ajudam a dormir melhor. Sim, por vezes conseguimos ser um bocadinho solidários e pensar em alguém que não seja em nós próprios.

Mas infelizmente nem sempre somos capazes de olhar para aqueles que nos são próximos e não precisamos de ir muito longe, basta olharmos para os nossos pais. Desde que fui mãe, passei a dar ainda mais valor a quem me pôs no mundo e me criou. Passei a perceber o quanto que custa passar noites em claro, as horas nas urgências dos hospitais, a falta de paciência para as birras, o cansaço acumulado ao fim de oito horas de trabalho, duas na cozinha e uma no trânsito... Mas também passei a perceber a verdadeira dimensão da expressão «amor de mãe/pai» e sinceramente acho que nem preciso de explicar. Aqueles que são pais sabem precisamente o que é, quem não é, ainda não o sabe e por mais que entenda, não o consegue realmente alcançar, mesmo que se esforce muito.

E o que me choca nesta sociedade que tenta passar a imagem de ser solidária é que muitas dessas pessoas passam semanas (por vezes meses) sem sequer levantar o telefone para perguntar aos pais «está tudo bem?». Passam dias a prometer uma visita que à última da hora desmarcam e sem grande peso na consciência porque «afinal eles também não tinham planos».

Esquecem-se que do outro lado há alguém que os ama acima de tudo e que não pede assim tanto, apenas quer saber se eles estão bem, mas também vê-los a sorrir, pessoalmente, que isto das redes sociais é bom, mas sabe a pouco.

Entristece-me ver esta geração que se preocupa mais em partilhar uma foto 'perfeita' e mais popular no Facebook que conquista 500 gostos do que levar os pais a passear junto ao mar e conseguir conquistar-lhe um simples sorriso. Sim, fala-se do tempo, aliás da falta dele... mas depois perdem-se horas na ronha na cama, a fazer zapping na TV ou a fazer scroll no iPhone para ver as cusquices de vidas alheias ou para 'sofrer' com histórias tristes...

Não se trata de tempo, mas de prioridades... tão simples quanto isso.

Viver mais quem se ama dá-nos anos de vida.

Share:

0 comentários