É frustrante chegar a casa sem energia para os nossos miúdos


O dia de qualquer mãe e pai parece tantas vezes a sequência de vários dias. 

O "dia" pré-trabalho, em que se acorda os miúdos, dá-se o pequeno-almoço, veste-se e leva-se ao colégio; o "dia" de trabalho efetivo; e o "dia" pós-trabalho no qual se vai buscar as crianças à escola, se prepara o jantar, ainda se vai ao supermercado num pulo, dá-se banho às crianças, janta-se, põe-se os miúdos a dormir, arruma-se a cozinha, estende-se a roupa, desmaia-se um bocadinho no sofá enquanto se faz um zapping sem lógica, toma-se um duche rápido e voa-se para a cama... ahhh volta-se a levantar porque falta organizar a roupa para o dia seguinte e já agora fazer uma salada rápida para levar para o trabalho... uffaa.. volta-se para a cama e o sono parece que fugiu...

Nada é mais frustrante do que chegar a casa e ir já sem energia para brincar com os filhos, chegar ao trabalho e estar esgotada porque a noite de sono foi curta demais e chegar ao fim de semana desanimada porque há tanto para fazer tanto dentro de casa como na rua...

Há momentos em que penso na forma como os nossos pais conseguiam estar sempre presentes e nós lutamos constantemente por fazer o mesmo e parece que ficamos sempre aquém. 

Antigamente não havia máquinas de lavar loiça nem de secar roupa e até as de lavar roupa não eram certas em todos os lares. Não havia tantos carros e nem sequer eram usados para ir ao supermercado da esquina. Não havia papas, bolsas de fruta e comida pré-cozinha que era só colocar no micro-ondas. Aliás, nem micro-ondas havia. As fraldas não eram descartáveis, a roupa não era tão barata e os móveis eram um investimento a longo(ooo) prazo. Não havia telemóveis para encomendar comida, muito menos sistema de take away ou take home, ir ao restaurante era um luxo e no supermercado não havia promoções de 50% em nada. 

Felizmente hoje temos tudo, ou quase tudo. A vida é de facto mais "fácil" e os serviços mais práticos e acessíveis. A internet aproximou-nos de tudo e de todos. Mas na verdade, às vezes acho que nos distanciou do mais importante. Cada vez mais, os nossos filhos passam jornadas de 8 a 10h nos colégios, chegam a casa exaustos e nós idem, há menos brincadeiras e menos momentos de lazer que são substituídos por mais jogos e tablets. Menos abraços, menos beijos, menos mimos. Mais distância física e emocional e mais cansaço e menos paciência. 

Quantas vezes, por dia, pensam em se despedirem do trabalho para começarem a ter mais qualidade de vida?

Quantas vezes sonham com aquela viagem que têm planeada há anos e que nunca se consegue concretizar?

Quantas vezes programam um fim de semana em família que acaba por não acontecer porque o papá ou a mamã acabam por ter um trabalho extra?

Quantas vezes dizem mentalmente basta e acabam por não conseguir bater a porta porque há contas para pagar?

Infelizmente, acho que a resposta é superior à desejável. E o cansaço acumula-se, dia após dia. A paciência aproxima-se de valores negativos e aos poucos começamos a sentir que os nossos filhos estão só a ter o pior que há em nós e não o melhor (como era suposto). 

Há momentos em que realmente precisamos de dizer "não" à vida que temos, isto se ela não é nem de perto nem de longe aquela que desejamos ou que sonhamos. 

Só há uma coisa que temos de ter em mente: os nossos filhos não voltam a ter 1, 2, 3 anos... na vida não dá para fazer "pause" ou "rewind"... 

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2 comentários

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Hoje em dia parece que quando temos tempo livre aparece sempre algo que o ocupa...Quantas vezes já pensei em deixar tudo e ficar com eles MAS há contas para pagar e há uma vida quando eles começarem a ser maiores, uma realização pessoal, uma sociedade que cobra ..... e no fim do dia acaba-se por não se dar o passo porque queremos o melhor para eles....e para ganhar o dia nada melhor que acabar a noite no sofa com eles enroscados em cima de nós a dormir e nós lutarmos contra a vozinha que nos diz que eles têm de ir para a cama para acordarem cedo amanhã.... :)

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