O adeus deve ser simples, mas doce


Às vezes ainda penso em ti. Aliás em nós. 

Faz este mês 11 anos que a minha aventura como jornalista começou.

Hoje sei que quando aí cheguei era apenas uma garota cheia de sonhos. 

Na verdade não sonhava em ser jornalista de imprensa. Queria mesmo era ser repórter de guerra. Mas à falta dessa oportunidade, agarrei o estágio com unhas e dentes. 

Trabalhei muitos dias mais de 12h, sai outros tanto já depois da hora da Cinderela e escrevi tanto sobre temas que não gostava que até aprendi a gostar deles, tanto quanto passei a gostar de imprensa escrita. 

Foi pela tua mão que parti à descoberta de histórias que me tocaram; foi na tua companhia que viajei por aqui e por ali e que descobri o quanto gostava de escrever sobre viagens; foi ao teu lado que entrevistei pessoas com histórias de vida envolventes como o filho do maior narcotraficante de sempre, Pablo Escobar, até ao ex-guarda costas de Fidel Castro passando por uma refugida norte-coreana procurada pelo governo de Pyongyang... cada palavra preenchia-me a alma e o vazio da carteira, que nunca foi o motivo central para ser jornalista, como é óbvio. 

Foi contigo que cresci, que me tornei quem sou hoje. 

Já não escrevo em jornais, já não tenho carteira de jornalista, já não assino artigos nem faço reportagens, mas no fundo acho que nunca deixarei de me sentir jornalista. 

Obrigada por tudo o que ensinaste e por tudo o que me trouxeste. Obrigada por teres feito parte de mim e por me teres preenchido a Alma e o coração. 

11 anos volvidos ficam as memórias das coisas boas, ficam as amizades e as histórias que contámos juntos. As entrevistas e as reportagens que fizemos. 

11 depois já não sou aquela garota que sonhava ser repórter de guerra e que era apaixonada pelo jornalismo. 

Hoje digo-te simplesmente um adeus doce, porque as memórias boas têm de ser assim: doces e simples! 

Ps: não planeio voltar, mas a vida já me ensinou a não dizer nunca!

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