Não se esforcem tanto


A sociedade está cada vez mais exigente com as mães e pais que se sentem constantemente num exame para o qual não tiveram tempo para estudar.

Será que estamos a fazer bem? Será que devíamos estar mais presentes? E as birras têm uma fórmula mágica? E se eles não começam a andar antes dos 12 meses? E se têm 8 meses e ainda não há dentes? E será melhor colégio privado, uma IPSS, ficar com os avós ou a mãe tirar uma licença sem vencimento? E o leite? Se não conseguir amamentar estarei a contribuir para futuros problemas de saúde do meu filho? E o que devo fazer se ele tiver 6 anos e ainda usar chuchar e beber pelo biberão? Ai e as fraldas, será obrigatório deixá-las antes dos 2? E tablet antes dos 24 meses é crime e depois dessa altura tem de ter que regras de utilização? E o andarilho faz mal ao desenvolvimento ou pode ser uma ajuda na locomoção?

Sim, todos os dias temos dúvidas e dilemas que nos atormentam, que nos desmotivam e que nos fazem duvidar da nossa própria capacidade de sermos rotulados de "bons pais". Sentimos sempre que ficámos aquém do que era esperado pela sociedade, pelos nossos pais, pelos nossos amigos, até pelos nossos vizinhos ou pela senhora da fila do supermercado que gosta tanto de opinar sobre o desenvolvimento dos filhos alheios.

Quantas vezes se vão deitar e sentem que fizeram pouco? Que desiludiram o vosso filho quando lhe disseram que não conseguiam ir fazer um desenho porque estavam a acabar de pôr a mesa ou quando não conseguiram ir buscá-lo mais cedo ao colégio quando ele vos tinha suplicado que gostava muito de sair às 17h em vez das 19h...

E quantas vezes acordam de manhã com vontade de emigrar para um sítio onde desse para dormir só mais meia hora? E aquelas vezes em que não encontram resposta às perguntas dos vossos filhos e em que se sentem os piores pais do mundo?

Cada vez mais acho que não há receitas milagrosas, não há uma solução igual para todas as crianças e muito menos para os pais. E quanto mais nos esforçamos, mais frustrados ficamos. Quanto mais tentamos ser perfeitos, mais nos afastamos do que realmente interessa. 

O que importa não é o que dizem de nós ou a forma como nos avaliam, mas sim a forma como os nossos filhos nos vêm, a forma como nos sentem próximos de si e, sobretudo, a forma como se sentem amados.

Cada vez mais acho que nos devemos preocupar menos e viver mais, cada experiência e cada momento... primeiro porque não se repetem e segundo porque ninguém melhor do que nós sabe a resposta certa para cada situação. Afinal quem são os pais? Nós ou a senhora da fila do supermercado?

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