Ser mãe não é profissão, nem dá prémios ou progressão na carreira, mas dá outras coisas (tão boas)


Ser mãe não é profissão; não inclui horas extra remuneradas pelas noites em branco com eles ao colo doentes, nem sequer prémios pelo número de roupa ou loiça lavadas e muito menos subsídios de férias ou de Natal e até essa coisa de tirar uns dias/horas nem sempre (ou quase nunca) funciona. 

Ser mãe não dá progressão na carreira, subidas de escalões ou rendimentos extra, não é sinal de prestígio aos olhos da sociedade e muitas vezes até é usado como fator de exclusão. 

Quantas vezes já vos perguntaram em entrevistas de trabalho se têm filhos? E quantos? E de que idades? «E há alguém que consiga ficar com eles se você trabalhar até mais tarde ou se tiverem doentes?»

E quantas vezes não vos ligaram de volta daquela entrevista que correu lindamente e que vocês sabiam que cumpriam todos os requisitos?

Isto já para não falar do facto de tantas vezes nos olharem de lado na fila do supermercado, no restaurante e até nos hotéis porque os nossos filhos decidiram fazer birra e estão a incomodar os demais presentes. 

Não, não temos férias, não temos bónus ou sequer salário, é mais uma espécie de voluntariado por tempo indeterminado

Mas temos outras coisas e tão boas. Há beijinhos e abraços quando acordam e se tivermos sorte, às vezes, há um "amo-te muito"; há um correrem para os nossos braços quando os vamos buscar ao colégio como se não nos vissem há dois meses; há a sensação de colinho mágico que funciona para curar quase todas as mazelas das quedas e parar todas as lágrimas das birras; há um acordar todos os dias com a certeza de que o dia não será igual ao anterior, nunca há monotonia ou tédio; há o voltar a ter três anos (ou menos) com alguma regularidade quando nos sentamos no chão a fazer construções de LEGO (mesmo com dores de costas) ou o voltarmos a fazer desenhos ou pinturas coisa que achávamos que já nem sabíamos fazer; há o ouvir elogios simples, sinceros e desinteressados como "estás tão bonita mamã" ou "tens uma cabelo lindo" - quando na verdade nesse dia até pensámos em rapar o cabelo de tão indomável que estava...

Podia alongar-me ainda mais e falar da magia de vê-los a dormir à noite, tranquilos e serenos, e nos seus sorrisos e gargalhadas contagiantes e inocentes, mas tudo o que pudesse escrever seria sempre insuficiente para descrever o que é ser mãe. 

Ser mãe não se explica-se, sente-se!

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