A moda dos blogs de maternidade {e do parecer em vez de ser}



Nos últimos anos, a maternidade assaltou a blogosfera e assumiu-se como um dos temas mais pesquisados e partilhados nas redes sociais. E já não são apenas as mães anónimas que usam estas plataformas como uma espécie de diário de partilha das suas aventuras no mundo da maternidade, há os pais bloggers, as mamãs famosas bloggers e até os grandes grupos editoriais se aperceberam que este nicho podia ser rentável. Sim, todos os dias nascem novos sites, blogs, revistas e livros de maternidade. 

E esta proliferação de blogs e grupos de mães e bebés acaba por me deixar uma dúvida: será que são assim tão benéficos e úteis para a vida dos pais? Ou será que na verdade só os seguimos porque todos o fazem também? E será que aprendemos assim tanto ou retiramos assim tanta informação positiva para a nossa vida e para a vida dos nossos príncipes e princesas?

Às vezes cruzo-me com posts patrocinados que me fazem lembrar os e-mails que recebia das agências de comunicação e das marcas quando era jornalista. Não estão mal escritos, mas não têm a alma e o cunho pessoal que deviam ter. 

Mas pior do que os posts patrocinados são aqueles que na verdade não dizem nada ou aqueles que parecem composições da secundária que só falta começarem com «era uma vez uma família perfeita» e continuam com a casa perfeita, os filhos perfeitos, o cão perfeito, o parto perfeito, o look perfeito... e com um final ao estilo «e viveram felizes para sempre». Mas também há o reverso: os posts mais deprimentes, das mães que sofreram horrores no parto, que apanharam um susto de morte quando o filho partiu uma unha, que choraram copiosamente porque só dormiram 6H, porque a vida é difícil, porque os filhos querem ser crianças e fazem birras...

E isto não é uma crítica aos blogues de maternidade em geral, até porque eu tenho um blogue de maternidade, isto é só um desabafo... será que vocês de facto lêem os posts dos blogues que seguem? Será que de facto conseguem terminar os textos todos ou ficam-se pelo título e pronto mais um like, mais uma partilha, mais uma prova de que seguem as mães mais cool de Portugal...

Eu também já escrevi sobre tristezas - e a maternidade tem pano para mangas nesse setor - ; também já escrevi sobre dietas pós-maternidade - aliás estou numa neste preciso momento -; e até já fiz posts sobre noites em branco e depressão pós-parto. O que me faz espécie é que por vezes é difícil encontrar o meio-termo: ou seja, ou há mães bloggers de sucesso e giras e felizes, estilo capa de revista, ou há mães bloggers que vivem na merda, cansadas e deprimidas. 

Será que não conseguimos encontrar um meio termo? Ou será que isso não é apelativo o suficiente para as leitoras e até para as marcas?

E no final de contas será que de facto as mães e os pais conseguem reter algo de importante sobre a parentalidade no meio disto tudo? Ou simplesmente acordam a querer ser magras ou saudáveis como a Carolina Patrocínio após três gravidezes, passam o dia nas lojas a querer que os miúdos se vistam como os filhos da Ties (que btw estão sempre giros); e adormecem a sonhar com as viagens da Fernanda Velez do Blog da Carlota e em correr a Maratona de Paris como a Ana Lemos do Cacomãe...

Não há problema em termos outras pessoas como referência, sobretudo se forem pessoas que admiramos e que nos podem ajudar a sermos melhores também, seja como mães ou como profissionais; o problema, na minha humilde opinião, é quando isso vira obsessão e acabamos a ser carneirinhos que fazem tudo segundo o que está na moda naquele momento e nos esquecemos de nós, daquilo que gostamos, daquilo que nos dá prazer, daquilo que faz realmente os nossos filhos felizes.

Troquem os tablets dos vossos filhos por bicicletas; ofereçam pianos ou baterias em vez de telemóveis; escolham destinos de férias que eles gostem e não só porque ficam bem nas selfies do Instagram; e à noite quando chegarem a casa deixem o telemóvel no hall de entrada, de preferência sem som, para poderem sentar-se no chão a brincar ou na mesa da sala a ajudá-los nos trabalhos de casa. Esqueçam um bocadinho o que é a tendência digital e pensem qual o caminho para serem de facto felizes e fazerem os outros felizes na vossa vida, a vida real. 

Melhor do que parecer feliz, é ser feliz, não?

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6 comentários

  1. É mesmo, adorei esta retrospetiva fez-me pensar!!

    Novos posts: https://abpmartinsdreamwithme.blogspot.pt/

    Beijinhos ♥

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    1. Olá Beatriz ♥
      Obrigada pelo comentário :)
      Um beijinho grande

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  2. Nem mais, Patrícia. O mundo não é sempre cor-de-rosa nem sempre cinza. Nós, pais, pintamo-lo todos os dias de tantas cores e os nossos filhos ajudam a esborratar a pintura e a torná-la única, às vezes confusa e vertiginosa, mas incrível, no bom e no mau que nos traz. Beijo!

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    1. Olá Liliana! Já te disse que adoro a forma como escreves e as perspetivas que nos mostras? A analogia das cores é tão bem aplicada a este tema ♥

      Um beijinho grande e obrifada pelas tuas palavras ♥

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  3. Penso tanto como tu!
    Sinto falta do realismo daquilo que é ser mãe, do facto de não se falar que não existe uma formula exacta para sermos perfeitas no papel que, tão bem, qualquer uma de nós desempenha.
    Sou mais pragmatica, vejo o arco-íris assim como vejo a chuva.
    Pat

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    1. Olá Patrícia está tudo bem?
      Obrigada pelo teu comentário, às vezes precisamos de dar o abanão às pessoas para que deixem de ser carneirinhos e comecem a pensar mais no que realmente gostam e não gostam de fazer :)
      Um beijinho grande ♥

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