Não é preciso manual de instruções, mas um tradutor às vezes dava jeito


Quantas vezes os vossos filhos já vos disseram coisas que vocês simplesmente não conseguiram decifrar? Sim, porque "uanas" não é bem o mesmo que "laranjas"; "am" não é propriamente "água"; e até "sacaco" apesar de ter as mesmas letras que "casaco" nem sempre é uma palavra de associação imediata, certo?

Eu já nem peço um manual de instruções para lidar com birras ou com sonos trocados, mas olhem que um tradutor ou "decifrador" automático dava cá um jeitão. 

Por aqui, temos uma princesa Leonor que só lá para os três anos decidiu deixar de chamar "am" à "água" e que chamava a avó Susana de "vó Zana"; um baby Pedro que ainda teima em vestir o "sacaco" em vez do casaco, que adora dizer "bicleta" em vez de bicicleta e que só há poucos meses começou a dizer o nome do pai: "Rui"; temos também um sobrinho Martim que demorei meses a convencer que os óculos não se diziam "ótulus". 

E isto para não falar das palavras que habitualmente geram aproximações divertidas como "frigorífico"; e daquelas que eles teimam em dizer de forma "abebézada", como "pópó", "ão-ão" ou "pupa", sendo que aqui em parte os pais têm alguma responsabilidade. Quem manda dizer: «Olha Joãozinho é o pópó cô de rosa», ou «queres brincar com o ão-ão» ou mesmo «vá vamos tirar a pupa para comeres a papa».

Para fazer este post falei com os meus pais. Queria muito também ter palavras engraçadas e trapalhonas de quando era mais pequenina. Pensaram, pensaram... lembraram-se de algumas do meu irmão, divagaram pelas dos meus filhos... e concluíram que não. «Tu começaste logo a falar tudo tão bem filha», disseram-me. Acho que o tempo que passou desde a minha infância também ajuda a que não se lembrem... ou então eu era mesmo uma ninja das palavras ahahah 



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