São 9:00, o portão da escola abre-se e ela agarra-se a mim. Traz lágrimas nos olhos e eu tento sorrir.
Digo-lhe que vai ser um dia especial, que vai aprender um monte de coisas novas, que vai brincar com as amigas novas e que no final do dia até vai achar que passou a voar.
Tento tirá-la do meu abraço para que voe sozinha. Tento que a despedida não seja demasiado longa para atenuar a tortura, mas também não quero que a sinta tão célere que a associe a despreocupação.
Há dias em eles vão tão bem que até nos custa a forma fácil como correm, sem medos, felizes. Tão tranquilos que até se esquecem de dizer adeus.
Mas há outros dias em que choram, em que nos abraçam com força, em que perdem a coragem e sentem o peso da escola nova, dos amigos novos e das rotinas novas.
E nesses dias não são só eles que sentem as pernas fraquejar ou as lágrimas a quererem libertar-se...
O que a minha princesa não sabe é que a única coisa que me apetecia era dar-lhe a mão e dizer-lhe baixinho: «ok, esquece a escola e vem comigo».


















